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Sete costumes tipicamente brasileiros que podem comprometer seu sucesso 

 

Seja por hábito ou tradição, nós brasileiros temos alguns costumes que podem atrapalhar nossa atuação no trabalho, nas relações pessoais e se agravam ainda mais em relação aos estrangeiros que não conhecem a nossa cultura.

 

Rodrigo Solano

rsolano@thinkglobal.com.br

 

Think Global elencou 7 desses costumes que podem estar dificultando o seu sucesso. Constituem pequenos obstáculos comumente identificados em sessões de coaching.

 

1)      Não saber dizer não: É fato! Dizer não, de primeira, no Brasil não costuma ser bem visto. O brasileiro hesita em dizer não a um convite para um evento ou em dar uma opinião negativa. A resposta normalmente é “talvez”, ou até mesmo “vamos nos falando”. O problema é que a intenção de dizer “não” nem sempre fica clara, o que adia as decisões e cria  falsas expectativas. O ideal é deixar o “não” claro, mas quando estiver lidando com outros brasileiros jogar uma frase amortizadora: “Nossa, gostaria tanto de ir, que pena, mas realmente não será possível. Vou estar atento à próxima oportunidade”.

 

2)      Confirmação de encontros ou reuniões: Poucas coisas tomam mais tempo e consomem mais energia do que a confirmação de encontros e reuniões aqui no Brasil. Em regiões como América do Norte e Europa, por exemplo, os encontros são sempre marcados com antecedência. Os convidados aceitam ou não o convite e pronto, não há necessidade de reconfirmações ou insistências. Já no Brasil, é costume agendar um encontro para daqui a, por exemplo, 10 dias e dentro deste período o anfitrião costuma perder muito tempo confirmando presença e lembrando a todos que o evento realmente acontecerá. Caso não faça isto, é possível que o evento não tenha quorum suficiente. Isto sem contar aqueles que não poderão comparecer, mas não conseguiram dizer não (voltamos ao item 1). O ideal é fazer os convites por meio de plataformas eletrônicas em que todos os convidados acessem, deixando claro que é imprescindível a confirmação. O fato de não precisar dizer “não” verbalmente facilita a vida dos convidados e, além disto, os brasileiros são bons em seguir instruções escritas de forma clara.

 

3)      Assertividade versus Sensibilidade: Outro ponto bastante importante é como nós, brasileiros, costumamos lidar com feedbacks. Por exemplo, um brasileiro está expondo um produto numa feira nos E.U.A. e recebe o seguinte feedback: “Seu produto não é a adequado ao nosso mercado, o sabor é aceitável mas a embalagem remete a um produto pobre, fora dos padrões com que trabalhamos”. Não é raro, brasileiros se ofenderem com tal pronunciamento. É como se  a pessoa do vendedor ultrapassasse a barreira de sua pele e se estendesse ao produto... daí vem a ofensa! Já o americano, muitas vezes acha que está contribuindo ao fazer uma consultoria grátis para que o brasileiro adapte seu produto e tenha sucesso da próxima vez. Esta situação pode acontecer até mesmo quando uma amiga pergunta à outra como está seu look antes de ir para uma festa. O melhor é ser honesto, mas com sutileza: “Você está bem, amiga, mas acho que aquele seu outro vestido te deixaria mais bonita ainda!”

 

4)      Pontualidade: Um ponto simples mais difícil de cumprir. Em muitos países 8:00 horas significa exatamente 8:00 horas, mas nós brasileiros temos uma percepção mais flexível do tempo. Ficamos surpresos quando, em outros países, um trem marcado para 8:04 sai mesmo 8:04 sem esperar aquele “coitadinho” que corre na plataforma, mas não consegue chegar a tempo. O fato é que, em muitos países o horário é interpretado como o início do evento, ou seja, deve-se chegar antes. No Brasil, muitos interpretam que a chegada deve ser a partir do horário indicado...   

 

5)      Dizer que sabe sem efetivamente saber: Eis uma queixa comum de executivos estrangeiros que vêm trabalhar no Brasil. Na Europa, por exemplo, existe, normalmente, um comprometimento com a veracidade do que é dito. No Brasil, muitas vezes, uma afirmação pode ser flexibilizada e receber aplausos se a pessoa possui eloquência na fala. E isto permeia reuniões informais, corporativas e até, se não principalmente, ambientes políticos. Presenciei uma conversa entre uma passageira brasileira e uma atendente de bordo portuguesa que ilustra bem essa diferença cultural. Estava chovendo muito e, provavelmente por isso, mas não com absoluta certeza, a torre de controle do aeroporto não autorizava a decolagem. A brasileira então pergunta: “Moça, por favor, você sabe que horas vamos partir?”. E a resposta “Não sei, não senhora, pois a torre não nos autoriza”. Continuou a passageira: “Mas o que você acha? Você não tem ideia?” Respondeu mais uma vez a aeromoça: “Não acho nada e nem tenho ideia. Talvez nem a torre a tenha. Depende da chuva.” Inconformada com a resposta a passageira murmurou “Que grossa!”. A passageira provavelmente esperava uma resposta confortante do tipo “Ah provavelmente daqui a uns 10 minutos esta chuva passa!” mesmo que não fosse verdadeira, o que não é costume europeu, que se compromete mais com exatidão do que está sendo dito.  

  

6)     Não ir direto ao ponto: Outro fato! Brasileiros raramente vão direto ao ponto em reuniões. É comum falarmos de diversos assuntos no início dos encontros. Divagamos e até mesmo durante a reunião perdemos o foco. Não há uma ordem clara de quem fala e acabam dominado o encontro aqueles que mais gostam de falar.  E estes não são necessariamente os que têm grandes contribuições sobre o assunto que, talvez por serem mais tímidos, deixam de falar. Para evitar estas perdas, o ideal é ter um tempo para amenidades estipulado e, uma vez iniciada a reunião, seguir um roteiro programado em que todos falem em tempo justo. Esse nosso hábito muitas vezes é visto, em organizações globais ou em outros países, como falta de planejamento ou até de profissionalismo.  

 

7)     Relações pessoais versus capacitação: Principalmente devido à tendência sentimental brasileira, costumamos trazer para perto de nós ou promover pessoas no ambiente de trabalho que tenham melhores relações pessoais conosco. Dessa forma, fica para segundo plano a capacitação do profissional para o trabalho a ser desenvolvido o que é essencial para o sucesso dos negócios. Se para muitos brasileiros isto é aceitável, para muitos estrangeiros, esse critério seria muito mal visto!

 

Moral da história: cada povo tem sua cultura e seus hábitos, que devem ser estudados antes do início da convivência ou da negociação. Reproduzir os seus hábitos e a sua percepção da realidade com estrangeiros é a receita certa para gafes e muitas vezes inviabilizar o que poderia ter sido um bom negócio. Além disto, conhecer os hábitos que comprometem seu sucesso num ambiente global pode ajudar você na melhorar seu desempenho inclusive no Brasil.